31 de março de 2005

Jazz Hot no Hot em Abril e Maio

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O Hot Clube de Portugal apresenta em Abril e Maio uma programação variada, incluindo músicos portugueses, europeus e norte-americanos, sendo de destacar a presença de David Binney (na foto).

De 7 a 9 de Abril (quinta a sabado) actua o Quinteto do trompetista alemão Martin Auer (www.martin-auer.com), composto por Martin Auer (tp) Florian Trübsbach (saxs) Rolf Langhans (p) Rodolfo Paccapelo (ctb) e Sebastian Merk (bat).

No dia 13 (quarta) o palco da cave da Praça da Alegria está a cargo do contrabaixista Nelson Cascais, também em Quinteto, que aproveita a ocasião para efectuar o lançamento do seu mais recente CD: "Nine Stories". Acompanham-no Pedro Moreira (sax) André Fernandes (guit) Jesse Chandler (p,org) e Bruno Pedroso (bat).

De 14 a 16 (quinta a sabado) a pianista Paula Sousa, depois de uma temporada nos EUA, faz a sua estreia no Hot Clube, liderando um Quarteto de qualidade reconhecida, com André Matos (guit) Demian Cabaud (ctb) e Bruno Pedroso (bat).

De 20 a 23 (quarta a sábado) atenção ao Quarteto do saxofonista-alto David Binney (www.mythologyrecords.com/binney.html), o qual inclui o pianista Craig Taborn, o contrabaixo de Thomas Morgan e a bateria de Dan Weiss (bateria).

De 28 a 30 (quinta a sabado) o jazz chega da Alemanha, com o
Trio DRA, liderado pelo vibrafonista Christopher Dell (www.christopher-dell.de), uma formação que inclui contrabaixo e bateria e pratica "jazz moderno" de qualidade.

Já em Maio, o trompetista Laurent Filipe, volta ao Clube em Quarteto, desta vez para apresentar o seu projecto "Flick Music-música de filmes", para o que conta com André Fernandes (guit) Demian Cabaud (ctb) e Pedro Viana (bat,perc)

De 12 a 14 (quinta a sabado), o guitarrista Nuno Ferreira apresenta-se em Trio com o regresso ao Hot do baterista Mário Barreiros.

30 de março de 2005

Jazz em Abril no Catacumbas

A todos os interessados aqui deixamos a programação de Abril do Catacumbas Jazz Bar, situado na Travessa Água da Flor, 43, no Bairro Alto (Telef. 21 3463969).

2ªFeira: 04-04-2005

OPEN JAM SESSION
Com Trio de Paulo Lopes

5ªFeira: 07-04-2005

DÊSSO BLUES GANG
Wildcat Boogie-Voz
Mighty Mike-Guitarra
El Pavonni-Harmónica
Huglues-Guitarra
Lee Bananna-Contrabaixo
Big Little Beat-Bateria

2ªFeira: 11-04-2005

OPEN JAM SESSION
Com Trio de Paulo Lopes

5ªFeira: 14-04-2005

TRIO DE Mª JOÃO MATOS
Mª João Matos-Voz
José Soares-Guitarra
Nuno Fernandes-Contrabaixo

2ªFeira: 18-04-2005

OPEN JAM SESSION
Com Trio De Paulo Lopes

5ªFeira: 21-04-2005

NOBODY'S BIZNESS
Petra-Voz
CatMan-Voz,Harmónica
Luis Ferreira-Guitarra
Pedro Ferreira-Guitarra
Luis Oliveira-Baixo

2ªFeira: 25-04-2005
ENCERRADO

5ªFeira: 28-04-2005

TRIO DE PAULO LOPES + JOÃO RATO
Paulo Lopes-Sax Tenor e Soprano
João Rato-Guitarra
Pedro-Baixo
Samora-Bateria

VICAIMA não tem swing...

... a não ser no punho dos administradores que ontem agrediram os repórteres da SIC, conforme o demonstraram as câmaras de filmar da SIC e da RTP.

JNPDI! solidariza-se com estes profissionais da informação e repudia totalmente a actuação dos responsáveis desta empresa, atitude incompreensível no Século XXI e num contexto em que se exige às empresas responsabilidade social e urbanidade no trato com os vários públicos.

Aconselhamos vivamente a leitura do post que o blog Barnabé (http://barnabe.weblog.com.pt/) colocou hoje online sobre este mesmo assunto e a adesão ao boicote aos produtos desta empresa (consultar para o efeito http://www.vicaima.com/produtos.htm).

Shame on you!

Downbeat sob o signo de Joshua Redman

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A mais recente edição (Abril) da revista «Downbeat» é especialmente dedicada ao saxofonista Joshua Redman.

Howard Mandel publica um interessante artigo sobre o panorama actual da composição no jazz, recorrendo a Ben Allison, Stefon Harris, Matthew Shipp e Vijay Iyer.

Quanto ao Blindfold test coube ao pianist Uri Caine o desafio de reconhecer os seguintes intérpretes/composições:

- Geoffrey Keezer-Mulgrew Miller: "Alpha" from Sublime: Honoring The Music Of Hank Jones (Telarc)

- Chano Dominguez: "Cilantro Y Comino" from Hecho A Mano (Sunnyside)

-Roland Hanna: "Based On Gustav (2nd Movement From Symphony No. 5)" from Apres Un Reve (Venus)

- Bobby Few: "Continental Jazz Express, Reprise" from Continental Jazz Express (Boxholder)

- Classical Jazz Quartet: "Invention No. 4" from The Classical Jazz Quartet Plays Bach (Vertical Jazz)

- Orrin Evans: "Some Other Blues" from Blessed Ones (Criss Cross)

- Fred Van Hove-Frank Gratowski-Tony Oxley: "Tiddledit" from GratHovOx (Nuscope)

28 de março de 2005

BIRD, o filme, na RTP, na madrugada de 29

No cinquentenário da morte de Charlie Parker, a RTP exibe na madrugada de 29 de Abril, à 1h40, o notável filme que Clint Eastwood realizou sobre este saxofonista que mudou para sempre o panorama do jazz.

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A ver!

Nicola Conte na Aula Magna a 9 de Abril

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É já no próximo dia 9 de Abril que o italiano Nicola Conte traz o seu acid jazz à Aula Magna. Com uma sonoridade baseada no bossa nova e nas bandas sonoras dos filmes italianos dos anos 60 e 70, Conte, DJ/produtor, vem apresentar fundamentalmente o seu novo CD, «Other Directions».

Natural de Bari, Conte é um músico de formação clássica mas que optou pelo trabalho de produtor e DJ, tendo colaborado com os seguintes grupos: Paolo Achenza Trio, Fez Combo, Balanco, Quintetto X e Intensive Jazz Sextet.

Discograficamente, Conte sobressaíu com o seu primeiro single, "Bossa Per Due", tema que foi adoptado para banda sonora de um massificado anúncio publicitário.

JNPDI! vai ter merchandising em breve

JNPDI! vai em breve disponibilizar online a venda de produtos com imagens inéditas que tem em sua posse no âmbito da investigação para o livro da "História do Jazz em Portugal".

Entre os produtos a disponibilizar contam-se calendários...

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[Ella Fitzgerald chega ao Aeroporto de Lisboa, para um concerto no Monumental]

Mousepads...

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...e muitos outros.

Os produtos serão temáticos e andarão sobretudo em torno da história do jazz em Portugal:

- Grandes concertos
- Clubes de jazz no Século XX Português
- Jazz e Ilustração em Portugal

Daremos em breve, assim esperamos, mais pormenores sobre esta inovadora iniciativa.

Entretanto, JNPDI! procura um logotipo. Há por aí criativos com vontade de participar neste projecto? Queremos algo moderno e irreverente, como este blog, susceptível de poder ser usado em merchandising interessante. Contatos para: joao_m_santos@hotmail.com

[proibida toda e qualquer utilização destas imagens]

Ainda a propósito de Sarah Vaughan...

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Vale a pena ouvir este disco, gravado em 1961.

Aqui se encontram versões fabulosas de "Perdido", "Lover Man", "You Go To My Head", "You Turned the Tables on Me" ou "Teach Me Tonight".

Gostaríamos de chamar sobretudo a atenção do encantador dueto entre Sarah e Joe Williams em "If I Were a Bell" (tema composto por Frank Loesser, letra e música, e que entrou na banda sonora do filme 'Guys and Dolls', com Marlon Brando e Frank Sinatra):

Just ask me how do I feel
Ask me now that we're cosy and clinging
Well sir, all I can say, is if I were a bell I'd be ringing!

From the moment we kissed tonight
That's the way I've just gotta behave
Boy, if I were a lamp I'd light
Or If I were a banner I'd wave!

Ask me how do I feel, little me with my quiet upbringing
Well sir, all I can say is if I were a gate I'd be swinging!
And if I were a watch I'd start popping my springs!
Or if I were a bell I'd go ding dong, ding dong ding!

[Joe now all you goota do is] ask me how do I feel from this chemistry lesson I'm learning
Well sir, all I can say is if I were a bridge I'd be burning!
Yes, I knew my moral would crack
From the wonderful way that you looked!
Boy, if I were a duck I'd quack!
Or if I were a goose I'd be cooked!

Ask me how do I feel,
Ask me now that we're fondly caressing
[Joe] if I were a salad I know I'd be splashing my dressing
[Sassy] if I were a season
I'd surely be spring
Or if I were a bell
Or I I were a bell
If we were a bell we'd go
ding dong, ding dong ding!

27 de março de 2005

Se Sarah fosse viva...

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[Foto: www.downbeat.com]

Se Sarah Vaughan fosse viva contaria hoje 81 anos e o jazz ainda teria a sua "divine", provavelmente ainda a cantar...

Considerada uma das melhores vozes do jazz, nasceu a 27 de Março de 1924, em Newark, e podia ter sido cantora de ópera, se não preferisse o jazz e não fosse... negra, claro.

Comparável a Sarah, no jazz, só Ella (por tudo) e Billie (pela emoção), mas ainda assim Sarah levava a melhor sobre a "First lady of song" no que toca à amplitude do registo vocal.

Foi a audição de um dos seus discos que me trouxe para o jazz. Em «How Long Has This Been Going On?» Sarah Vaughan faz aquilo que sabe - canta! - com o apoio de uma secção rítmica ímpar: Oscar Peterson, Herb Ellis, Ray Brown e Louis Bellson. Está tudo dito. É para ouvir à noite, em casa, luzes no mínimo ou apagadas, absorvendo cada nota e cada emoção.

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Em 1973, Sarah actuou no Cascais Jazz, infelizmente sob indignas condições sonoras, com um microfone que persistia num inaceitável feedback. Aguentou firme, cantou até ao fim. O registo existe na RTP e merece ser visto e ouvido. (Onde andas tu, RTP Memória, que tão esquecida estás do espólio que tens?!).

Por essa ocasião, passou ainda pelo Hot Club, "danada para cantar", como recorda o Eng. Bernardo Moreira, no que foi contrariada pelo seu manager. Limitou-se a tocar piano, outro dos seus dons, afinal enquanto criança tinha tido lições deste instrumento e também de órgão de igreja.

Já agora vale a pena contar aqui uma história sobre Sarah e Cont Basie, com cuja orquestra gravou alguns excelentes trabalhos. O narrador é James Gavin que, no disco "Count Basie & Sarah Vaughan", conta o seguinte:

During an engagement at New York's Roxy Theater in March 1944, Basie began auditioning singers to replace his departed vocalist Thelma Carpenter. Between shows he would sit at the piano in his dressing room and play for a parade of candidates. Finally Vaughan offered to help out the exhausted bandleader by accompanying the singers herself. Her husband and manager George Treadwell later said: "Damn, Basie. You had the greatest singer in the world right there, and you had her playing piano for audiotions". "The next time I saw Sassy", said Basie, "I asked her why the hell she didn't say something since she was not working anyplace at that particular time. She laughed. 'I just thought I wasn't what you were looking for', she said".

Quem conhece Sarah, conhece também o seu inimitável vibrato. Morreu juntamente com ela, em 3 de Abril de 1990.

Mas felizmente Sarah deixou-o, bem como ao seu talento, numa rica discografia, da qual apresentamos alguns dos melhores registos:

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26 de março de 2005

3.ª Festa do Jazz do São Luiz

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De 2 a 3 de Abril decorre em Lisboa a 3.ª Festa do Jazz do São Luiz, evento de divulgação por excelência do jazz nacional; o que já existe e o que está em gestação.

Das 14h00 às 2h00 aqui se apresentam não só os nomes consagrados, como também os combos das principais escolas de jazz do país.

Entre os jazzmen séniores conta-se a actuação de:

- Reunion Big Jazz Band
- Maria João / Mário Laginha
- Carlos Barretto e Jorge Prado
- Quinteto de Pedro Moreira + quarteto de cordas
- Sexteto da ESMAE (os vencedores do concurso de 2004)
- André Matos / Demian Cabaud
- Trio de Vasco Agostinho

Quanto às escolas de música, cujos combos disputam o prémio de melhor banda de jazz 2005, a eleger por um júri qualificado, são as seguintes:

- Escola JB Jazz (Lisboa)
- Escola de Jazz de Torres Vedras (na foto)
- Conservatório, Escola das Artes (Funchal)
- Escola de Jazz Luís Villas-Boas (Hot Club de Portugal)
- Escola de Música da Câmara Municipal da Nazaré
- Escola Técnica de Imagem e Comunicação (Lisboa)
- Escola de Jazz do Barreiro
- Centro de Estudos e Tecnologias Musicais (Viseu)
- RIFF, Escola de Música de Aveiro
- Escola Superior de Música e das Artes do Espectáculo (Porto)

A entra neste evento é livre entre as 14h00 e as 19h00, hora a partir da qual só se pode entrar com um livre trânsito para um dia (15 euros) ou para os dois dias (20 euros).

Guimarães Jazz com programação de luxo

Já é conhecida a programação, provisória, do próximo Guimarães Jazz, muito embora estejamos ainda a oito meses de distância da sua realização (10 a 19 de Novembro).

Este ano, tal como noutras edições, o elenco é de luxo, contando com o pianista Jason Moran, o Art Ensemble of Chicago, Dave Liebman (já temos saudades de o ouvir!), McCoy Tyner, MAria Schneider e Bob Brookmeyer e a sua NewArt Orchestra.

Este ano o festival decorre no novo Centro Cultural de Vila Flor, um equipamento que representou um investimento de cerca de 15 milhões de euros por parte da Câmara Municipal de Guimarães.

24 de março de 2005

Peter Cincotti no Estoril Jazz

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Já podem reservar antecipadamente nas vossas agendas o dia 3 de Julho, data em que Peter Cincotti actua no Estoril Jazz, naquela que é a sua estreia absoluta em Portugal.

Cincotti é uma das vozes mais promissoras da nova geração de cantores do chamado smooth jazz, para além de ser ainda um pianista a não menosprezar.

23 de março de 2005

PQP!

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Dianne Reeves mostrou ontem, dia 22 de Março, no Centro Cultural de Belém, por que razão é considerada uma das dignas sucessores das grandes vozes do jazz do passado.

Acompanhada por Peter Martin (piano), Reuben Rogers (contrabaixo) e pelo baterista Gregory Hutchinson, Dianne Reeves conseguiu surpreender mesmo aqueles que já a tinham visto e ouvido no Estoril Jazz no final dos anos 90.

E como ela cresceu desde então e ganhou ainda mais domínio sobre a sua voz, tornando-se igualmente uma exímia entertainer, que soube captar o interesse do público e levá-lo ao rubro.

Em termos de estilo é notório que Reeves pretende navegar utilizando os mapas traçados pioneiramente por Betty Carter, cantora que ela aponta como a sua grande influência, mais do que Sarah, Ella ou Billie. O seu scat singing tem a marca da diferença, ainda assim, e está cada vez melhor, embora ainda tenha margem para melhorar. Nessa altura Reeves será imbatível, acreditamos.

Reeves mostrou-se à vontade nos tempos lentos (como provou na notável interpretação de "Skylark") e nos tempos mais dinâmicos, conseguindo alguns momentos de absoluta perfeição nos seus scats. E que bem souberam temas como "In a Sentimental Mood" e "Prelude to a Kiss" (a fazer lembrar a interpretação de Peggy Lee). Só tivemos pena de Reeves não ter cantado temas como "River", "Ain't Nobody's Business" (onde é absolutamente brilhante em estúdio) ou Suzanne. Mas, vá lá, em compensação cantou o interessante e funky "Mista".

Vale a pena referir que quanto a nós uma das grandes diferenças de Reeves para outras cantoras é que ela consegue pegar nos temas clássicos, nos standards, e dar-lhes uma leitura actual. Ouviram o que ela fez a "That's All"? Pois é... esta é a prova de que não é preciso cremar e enterrar o songbook americano e que depois de décadas e décadas volvidas sobre a criação dos seus principais temas ainda é possível ser criativo na sua interpretação. Outra diferença é o seu scat singing, o que a distingue claramente das suas "colegas" do smooth jazz, bem menos interessantes. Em Reeves há ritmo, há alma, há o pulso do jazz, há África, há swing!

Pianista e baterista estiveram ao nível desta grande voz do jazz. Nota menos positiva para o contrabaixista, penalizado por um som mal equalizado, que o tornava praticamente inaudível.

A organização está de parabéns por este evento que encheu por completo o CCB, sendo de realçar o facto de ter conseguido captar o patrocínio da VW para o concerto (será que os responsáveis da VW gostaram do facto de Reeves ter "pedido" um Mercedes?). Esta é a prova de que o jazz não tem de ser eternamente subsidiado pelo Estado. O CCB cheio é a prova de que há público e de que havendo público existe retorno do investimento para as empresas patrocinadoras. Agora só falta realizar um estudo sério sobre o público do jazz e partir à procura das marcas certas para o perfil do público. Este é um desafio que nenhum produtor de jazz pode ignorar.

Em nossa opinião neste momento o jazz vocal feminino tem duas vozes que são realmente de nível superior: Dianne Reeves e Dee Dee Bridgewater.

De resto, nada do que se ouviu ontem se voltará a ouvir noutro concerto porque tudo foi, como Reeves referiu, fruto do momento, da inspiração, da energia vinda do público e da sala.

Assim é o jazz!

22 de março de 2005

Dianne Reeves não merecia

Dianne Reeves não merecia, e os seus fans muito menos (grupo em que obviamente me incluo), o DVD que dá pelo título de «Dianne Reeves: Festival International de Jazz de Montreal».

E porquê?

Porque é frustrante quando áudio e video não estão sincronizados (questão de ligeiros mas irritantes micro segundos) e tal é inadmissível num produto que é colocado à venda (estamos no Século XXI, século da tecnologia...).

Nom momento em que escrevo este post estou precisamente a visionar este produto e é penoso ouvir as cordas do contrabaixo a soar antes de os dedos de Reginald Veal lhe tocarem ou a boca de Reeves a gesticular antes de emitir som ou depois, tanto faz.

E tudo isto porque como hoje Reeves actua no CCB decidi visionar este DVD para me transportar desde logo para o seu universo.

Que frustração!

Difícil é não gostar; impossível é não sentir...

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A voz é de Mahalia Jackson, o resto é para ouvir e intuir.

As ilustrações de Warhol para discos de jazz

Nos anos 50 Andy Warhol realizou um pequeno conjunto de ilustrações para as capas dos discos da editora Blue Note e também da Prestige.

Os jazzmen contemplados foram Kenny Burrell...

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Johnny Griffin...

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e JJ Johnson, Kai Winding e Bennie Green (Prestige)

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Hoje é dia D, de Dianne Reeves no CCB

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Dianne Reeves actua hoje,22 de Março, no Centro Cultural de Belém.

Um concerto definitivamente a não perder, considerando que Reeves tem não só uma excelente voz, mas também um repertório variado e que combina jazz, pop e world music.

Reeves vem acompanhada por Peter Martin (piano), Reuben Rogers (contrabaixo) e pelo grande baterista Gregory Hutchinson, já bem conhecido do público português.

JNPDI! lá estará, claro!

Novas do Grupo Nomad de Dave Douglas

JNPDI! travou conhecimento com Rubin Kodheli, o violoncelista do combo que actuou com Dave Douglas no CCB, e tem estado a receber notícias do andamento da digressão europeia do grupo NOMAD.

Aqui fica a mais recente, com a devida permissão do autor:


At the moment I am in San Benedetto in Italy.

Last night we played in Torino. It was a very good concert.People were very energized and we were too.

The music is changing every time we play and it's been a great.

So this all I could say for the momnet and hope to talk to you soon.

Best wishes,

Rubin

21 de março de 2005

Encontrámos o cão!

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Quem não se lembra do emblema dos discos e gramofones His Master's Voice, em que um curioso cão olha para dentro da campânula de um gira-discos?

Pois JNPDI! encontrou finalmente o modelo que serviu de inspiração a este símbolo, o Nipper.

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A história da adopção deste símbolo é no mínimo curiosa...

No final do Século XIX (nos anos 90), morria Marc Barraud, um cenógrafo teatral. Ao irmão, o artista inglês Francis Barraud, deixou então um pequeno cão chamado Nipper e um fonógrafo.

Conta-se que um certo dia ao colocar em funcionamento o dito fonógrafo, Francis terá notado o interesse que o mesmo despertava no pequeno animal e decidiu pintar esse fenómeno num quadro a que deu o singular nome de "his master voice":

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Tendo pintado um fonógrado da marca Edison-Bell, Barraud ter-se-á lembrado de levar o referido quadro a esta empresa com o intuito de o vender. A resposta que obteve foi um não peremptório: "os cães não ouvem fonógrafos". Foi-lhe então sugerido uma actualização do quadro, substituindo o fonógrafo pelo último modelo de um gramofone.

Tendo pedido um gramofone emprestado à Gramophone Company de Londres, para servir de modelo, Barraud decidiu mostrar o quadro final ao dirigente desta empresa, William Barry Owen, que imediatamente lhe comprou o quadro e todos os direitos inerentes. O negócio fechou-se em 15 de Setembro de 1899, por 100 libras.

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[Francis Barraud e um dos muitos quadros de "His Master's Voice"]

E é assim que o pequeno Nipper substitui o antigo emblema desta empresa e a partir de 1900 é adoptado como imagem de marca nos EUA e, posteriormente, na Europa.

Resta referir que o quadro original de Barraud encontra-se actualmente exposto em Hayes (Middlesex), nos esxcritórios da EMI, a sucessora da Gramophone Company.

E quanto a Nipper ficou para sempre o cão mais famoso da história, muito antes da Lassie.

20 de março de 2005

BREVE HISTÓRIA DO JAZZ (2)
Por Luís Villas-Boas


Para completar o cenário que no nosso primeiro artigo começámos a traçar, sobre a cidade onde o «jazz» nasceu, vamos recordar alguns factos históricos ligados a New Orleans.

Assim julga-se que os primeiros carregamentos de escravos para New Orleans tiveram lugar durante o ano de 1712. Esses carregamentos, de cerca de 7000 negros, foram efectuados pela Companhia do Mississipi, que detinha o monopólio desses transportes.

Por volta de 1725 a população da «Crescent City» estava numa proporção de 5000 negros para 4000 brancos, e foi nessa época que o célebre governador de New Orleans, Blenville, redigiu o código negro, que visava principalmente os negros e os judeus.

Nos meados do século XVIII surgiu, todavia, o marquês de Vauderil, que pretendeu tornar New Orleans, pelo seu esplendor, a Versailles do continente americano.

Ainda que esta tenha sido a época de maior desenvolvimento da cidade, a Luisiana estava a ser invadida por aventureiros que, sob o pretexto da colonização, procuravam fazer fortuna nas margens do Mississipi. Com eles nasceram as tabernas e as demais casas de prazer, onde era interdito vender bebidas alcoólicas aos negros e aos índios.

Como as mulheres escasseavam, resolveu-se, em parte, o problema exportando o que de mais reles havia em França, que no entanto encontravam facilmente com quem casar, desde o momento em que desembarcavam. E dizemos «em parte» pois os colonos, que tinham criado leis raciais desumanas, transgrediam-nas frequentemente, dando origem à raça creoula, que viria a desempenhar papel de relevo nos primeiros tempos do «jazz».

Durante os últimos anos do século XVIII deu-se a colonização espanhola, de pouca duração, pois em Outubro de 1800 a França, recuperava, como se sabe, a Luisiana.

Por esta altura, o desenvolvimento comercial desta cidade - aumentadas as vias de comunicação - era enorme, aumentando, também, o número dos cafés, tabernas, salas de jogo, etc., que tornaram esta cidade num dos principais centros de prazer do mundo.

Com a venda da Luisiana aos Estados Unidos (transacção conhecida pela «Louisiana Purchase»), as tradições francesas vão, em parte, porém, desaparecendo. No entanto, a música francesa que, misturando-se com a espanhola, tinha conquistado direitos de cidade, principalmente devido à Ópera Francesa, mantém a sua firme posição. Mas, para os escravos negros, não existia a ópera. A música que podiam ouvir era a que se cantava nas ruas do folclore francês e das danças da moda (mazurkas, quadrilhas, polkas e marchas).

Assim, lentamente e em gerações sucessivas, os negros iam assimilando numa música só os seus ritmos africanos e a música de folclore. Com a guerra civil, nasce a libertação dos negros, que passam a gozar de mais privilégios. Entre eles o de lhes ser permitido tomar parte nas paradas, que grupos de mascarados tinham iniciado por volta de 1850.

Mas os negros, apesar de terem assimilado, de acordo com a sua sensibilidade, a música dos brancos, não esqueciam a música dos seus antepassados. Assim, numa ampla praça de New Orleans, conhecida, por esse motivo, por Congo Square, realizavam-se infindáveis batuques, ao som de primitivos instrumentos, cantando e dançando até esgotarem as forças.

Ali, em plena liberdade, os músicos inatos, que são os negros, podiam dar largas ao seu gosto pela música, numa expontaneidade que os brancos não possuem.

Mas a libertação dos escravos trouxe, por outro lado, novos problemas aos negros que, de repente, se viram forçados a trabalhar e a deitar mão das mais estranhas profissões, para poderem viver. É a altura em que os vemos utilizar a música, não como um prazer, mas como uma profissão, tocando nas festas em que New Orleans era prolífica. De início, como não sabiam ler música, serviam-se dos seus dotes inatos para , de ouvido, tocarem as melodias dos brancos, dando-lhes, no entanto, um pouco da sua personalidade e do poderoso ritmo que possuiam.

Como instrumentos, os negros tinham de se contentar com os de sopro, que as fanfarras e as bandas das paradas já tinham posto de parte, pois os instrumentos requintados, como o violino, o violoncelo ou o piano, eram apanágio apenas das classes ricas.

Desta maneira, uma música híbrida de melodias de brancos e cânticos negros das plantações dos campos de algodão, de uma maneira geral, melopeias repassadas de tristeza, com que os negros procuravam amenizar o árduo trabalho de escravos, mas possuindo características rítmicas impressionantes, procurava uma forma definitiva e um nome que a distinguisse.

Só os negros conseguiam tocar dessa maneira e, por isso, e sobretudo devido a serem baratos os seus preços, depois de 1800, os negros substituíram os músicos brancos nos clubes ordinários, clubes onde a música desempenhava um papel de relevo.

Luís Villas-Boas

18 de março de 2005

Pat Metheny ao vivo em Lisboa e Porto

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Pat Metheny está de regresso a Portugal para dois concertos, um no Porto (25 de Junho - Coliseu) e outro em Lisboa (26 de Junho - Coliseu).

O virtuoso guitarrista vem promover o seu novo CD, "The Way Up", no qual participam o pianista Lyle Mays, o baixista Steve Rodby, o baterista Antonio Sanchez, o trompetista vietnamita Coung Vu, e Gregoire Maret (harmónica).

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A produção é da Décima Colina, que completa este ano 10 anos de actividade.

Os preços para ambos os concerto são os seguintes:

25 de Junho - COLISEU DO PORTO

Cadeiras Orquestra: 40,00 euros
1ª Plateia: 38,00 euros
2ª Plateia: 35,00 euros
Tribuna: 36,00 euros
Balcão Popular: 27,00 euros
Galeria: 22,00 euros
Geral: 15,00 euros

26 de Junho - COLISEU DOS RECREIOS

Cadeiras de Orquestra: 45,00 euros
1ª Plateia: 42,00 euros
2ªPlateia: 38,00 euros
Balcão ( não é marcado): 28,00 euros
Galerias em Pé: 17,00 euros

Sobre o concerto e mais recente disco de Metheny afirma a produção:

PAT METHENY GROUP

O único grupo que alguma vez recebeu 7 prémios Grammy consecutivos, ocupando um território musical quase indefinível, Pat Metheny Group traz agora o 12º album de estúdio, THE WAY UP.

São 68 minutos corridos, compostos pela energia criativa insaciável de Metheny e Lyle Mays, fruto de um historial dos quase 30 anos em que estes artistas estão juntos. Com uma profundidade estrutural sem precedentes e uma imaginação sem limites, Metheny volta a demonstrar a sua capacidade de improviso e composição sem paralelo partilhando o holofote, generosamente, com os outros membros do grupo.

Tendo chegado a um patamar jamais alcançado como compositor, Metheny identifica THE WAY UP como uma forma de ?protesto contra um mundo onde o medo se torna numa arma cultural e politica, um protesto contra um mundo onde uma falta de nuance e detalhe é considerado como algo de positivo, um protesto contra uma cultura que prefere aquilo que pode ser consumido em pequenas porções por oposição aos esforços e feitos que só podem resultar de uma vida de trabalho e estudo.?

Uma peça simplesmente espantosa e emocionante onde mesmo sem letra e texto se conta uma história. Como o nome indica, um trabalho ambicioso, inspirador e ascendente!

17 de março de 2005

Alguém sabe?

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JNPDI! precisa urgentemente de saber em que ano Dexter Gordon actuou na Aula Magna, em Lisboa.

Sabemos que foi nos anos 80, mas desconhecemos em que ano ou mês.

Se alguém souber agradecemos que nos indique para: joao_m_santos@hotmail.com

O mesmo se aplica a Stan Getz, também na Aula Magna, também nos anos 80.

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;)

Peter Cincotti deve vir a Portugal

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O ano de 2005 promete ser forte em termos de jazz vocal.

Depois de Dianne Reeves, que actua no CCB na próxima terça-feira e no Rivoli (regressando alguns meses depois ao Porto), está praticamente confirmada a actuação de Peter Cincotti entre nós.

Cincotti é uma das vozes mais promissoras da nova geração de cantores do chamado smooth jazz, para além de ser ainda um pianista a não menosprezar.

Quem quiser ter "a little taste of his art" pode e deve ouvir:

Peter Cincotti

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On The Moon

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Jazz latino na «JazzTimes»

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A edição de Abril da revista «JazzTimes» coloca em destaque o nascimento do jazz latino, centrando-se nos seus principais fundadores: Dizzy Gillespie e Chano Pozo.

16 de março de 2005

História do jazz em mapa

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Nos EUA acaba de ser criado um mapa que cartografa a história do jazz neste país, ilustrando a rota geográfica das diferentes correntes do jazz, as cidades mais importantes na sua divulgação (Chicago, Los Angeles, Kansas City, Nova Orleães e Nova Iorque) e os seus principais clubes, assim como os locais de nascimento e morte dos jazzmen que mais se destacaram.

A autoria deste interessante documento é de Dion Good, um experiente geógrafo e cartógrafo que se inspirou na série de Ken Burns para a sua criação.

O mapa custa USD 20 e pode ser adquirido através do seguinte e-mail: diongood@netscape.net.

14 de março de 2005

Das 7 às 9 há jazz no CCB

Jazz, blues e música improvisada passam pelo habitual ciclo de concertos do CBB, das 7 às 9, entre Abril e Maio.

- 1 ABRIL | 6ª FEIRA: TELECTU
Telectu, formado por Jorge Lima Barreto e Vítor Rua, apresenta um concerto de música improvisada, onde abordará certa improvisação idiomática e não idiomática. Telectu é o epítome de uma vanguarda, é em Portugal, o mais significativo exemplo da música pós-moderna, aventura poliartística, trajectória rizomática da obra aberta.

JORGE LIMA BARRETO teclas, percussão
VITOR RUA electrónica


- 3 MAIO | 3ª FEIRA: PEDRO PIRES E JOÃO BARBOSA

Apresentam temas do seu novo projecto original, bem como, interpretações acústicas de outros autores que definiram o seu percurso musical desde o blues ao jazz, passando pelo rock, pop e metal.


- 6 MAIO | 6ª FEIRA: TRIO PAULO GOMES

Piano, contrabaixo e bateria. Esta combinação de instrumentos, foi a preferida de músicos como Bud Powell, Oscar Peterson, Bill Evans, Keith Jarrett, Brad Mehldau e tantos outros. A influência de toda esta tradição, o diálogo e interacção dos três músicos, e a improvisação colectiva, são evidentes na audição deste trio. Desde há muito ligado à composição, Paulo Gomes tem aqui um excelente veículo para realizar algumas das suas mais recentes peças.

PAULO GOMES piano
HUGO CARVALHAIS contrabaixo
BRUNO PEDROSO bateria


- 16 MAIO | 2ª FEIRA: SOLO PARA PIANO E BANDA MAGNÉTICA COM JORGE LIMA BARRETO

Compositor, interprete (piano, polinstrumentismo acústico e electrónico) e musicólogo, Jorge Lima Barreto iniciou-se como autodidacta a praticar órgão de igreja e piano. Criou a Associação de Música Conceptual destinada a congregar compositores/interpretes como A. Pinho Vargas, Carlos Zíngaro e ouvintes com interesses musicais comuns e organizar concertos. Praticante sobretudo no piano, acústico e eléctrico, bateria e percussão, acompanhou o devir dos modelos de sintetizador, do analógico ao digital, e uma vasta panóplia de dispositivos electrónicos. Foi fundador da Anar Band e do duo Telectu.


- 19 MAIO | 5ª FEIRA: PURA MISTURA

O trabalho deste grupo de percussão está centrado numa vontade de levar ao público ritmos e inspirações de várias origens. Duma grande cumplicidade e de horizontes culturais diversos nasceu o desejo de criar uma obra em que tradição e inovação se conjugam com influências africanas, latino-americanas, jazz e outras. A maioria dos temas tocados são originais e a improvisação tem neles um papel importante.

ARMANDO PEREIRA percussão
PEDRO CASTELLO LOPES percussão e flautas
VITOR MARTINS percussão
JORGE OLIVEIRA percussão
VINCENT CORRÊA GUEDES flauta transversal (convidado)
JOSÉ PEDRO CEQUEIRA teclas (convidado)

Ella canta Jerome Kern

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Acabou de chegar ao mercado nacional a reedição do disco em que Ella Fitzgerald se dedica a explorar o songbook de Jerome Kern.

Considerada uma das suas melhores obras, Ella surge aqui ao lado do talentoso Nelson Riddle, que assume os arranjos e a condução da orquestra.

Gravado em duas sessões, respectivamente em 5 e 6 de Janeiro de 1963, a qualidade do som é irrepreensível (mérito seja feito à edição da VERVE/Universal), tal como já sucedia nos seis songbooks que antecederam este, uma verdadeira aventura musical para a qual Ella foi atraída pelo produtor Norman Granz em 1956 e que a catapultaria para o estrelato.

Dizer, porém, que este disco, tal como os outros, é jazz é esticar um pouco o conceito de jazz já que estes discos foram na época pensados como música popular e de facto raramente há lugar a solos porque tudo está musicalmente pensado para colocar o ênfase na melodia dos temas e na sua exploração vocal.

Ainda assim não há dúvida de que são obras imprescindíveis e que mesmo qualquer músico de jazz português devia conhecer. É que para tocar os temas é fundamental conhecer as letras e os pequenos toques que Ella sabia dar-lhes. Já Dexter Gordon dizia que não consegui tocar um tema de que desconhecesse a letra...

Das músicas de Jerome Kern (1885-1945)chamaram-me especialmente a atenção os temas "I'll Be Hard To Handle" (com letra de Bernard Dougall e composto originalmente para o filme «Roberta», de 1935) e "You Couldn't Be Cuter" (com letra de Dorothy Fields)

I'll Be Hard To Handle

Now we'll say till something do us part
That old dad of mine ain't got a heart
Any girl who's out for pleasure
Thinks of marriage only at her leisure
As it is, they've got the horse behind the cart

When my pop said we must wed,
He kind of wowed me, still I'm read-y
But one thing must be clear
At this time

I'll be hard to handle
I promise you that
And if you complain
Here's one little Jane
Who'll leave you flat

I'll be hard to handle
What else can I be
I say with a shrug
I think you're a mug
To marry me

When you first threw me a gander
I was willing to philander
But I never thought I'd have to be a bride
Now you're gonna find tough sledding
I don't want no shotgun wedding
I was only along for the ride

I'll be hard to handle
I'm telling you plain
Just be a dear
and scram out of here
I'm gonna raise cain

I'll be hard to handle
My bridges are burned
This wedding's a gag
And you're in the bag
Where I'm concerned

I'll be hard to handle
When we've said, "I do"
See there's no hope
I just got a dope
When I took you

I'll be living my life in bed
But they always will be twin beds
And I warn you, you'll be living like a monk
Our affair is now a past one
So don't think you've pulled a fast one
Just remember, I think you're a punk!

I'll be hard to handle
I'm no ball and chain
I'll find some means
To call the Marines
I'm gonna raise cain

Gonna raise cain
I'm telling you plain
I'm gonna raise cain



You Couldn't Be Cuter

Your poise! Your pose!
That cute fantastic nose
You're mighty like a knock-out,
You're mighty like a rose.
I'm sold, I'm hooked!
The well known goose is cooked.
You got me little fella,
I'm sunk! I'm gone! I'm hooked!

You couldn't be cuter
Plus that
You couldn't be smarter
Plus that
Intelligent face
You have a disgraceful charm for me

You couldn't be keener
You look so fresh from the cleaner
You are the little grand slam
I'll take to my family

My ma will show you an album of me that'll bore you to tears
And you'll attract all the relatives we have dodged for years and years

And what will they tell me?
Exactly, what will they tell me
They'll say you couldn't be nicer
Couldn't be sweeter
Couldn't be better
Couldn't be smoother
Couldn't be cuter, baby, than you are

My ma will show you an album of me that'll bore you to tears
And you'll attract all the relatives we have dodged for years and years

And what will they tell me?
Exactly what they will tell me
They'll say you couldn't be nicer
Couldn't be sweeter
Couldn't be better
Couldn't be smoother
Couldn't be cuter, baby, than you are

13 de março de 2005

Só vendo!

JNPDI! foi ontem assistir ao concerto de Dave Douglas no CCB e gostou.

Gostámos muitos, aliás!

Estamos convencidos que o futuro do jazz ou da música improvisada pode bem passar por projectos desta natureza, embora ainda estejamos apenas no início do que pode vir a ser um longo caminho.

Gostámos de Douglas, claro, brilhante no trompete, gostámos dos temas e gostámos dos sidemen, particularmente do violocelista, o jovem Rubin Kodheli.

Entretanto hoje de manhã deslocámo-nos ao hotel para conversar um pouco com Kodheli, músico que nasceu na Albânia há 27 anos, mas que ainda muito novo emigrou com os pais para NYC, vindo a estudar na prestigiada Juillard School of Music (a mesma que acolheu Miles Davis).

De Kodheli ficámos com uma gravação inédita ao vivo, não editada, a qual vamos agora dissecar e que servirá de ponto de partida para uma entrevista que ficou já agendada, uma vez que este músico além de tocar com Doulgas tem um projecto próprio e colaborações com companhias de dança.

Entretanto, apareceram os outros músicos, nomeadamente o homem da tuba, o inacreditável Marcus Rojas, um pouco frustrado por não ter encontrado Sérgio Carolino. Rojas e Kodheli ficaram muito interessados em conhecer o projecto TGB, sobretudo quando lhes revelei a existência de uma versão de "Black dog", um original dos Led Zeppelin, de que o violoncelista, tal como eu, é grande fan.

O grupo partiu hoje para um concerto em Madrid, a que se seguem actuações em França, Itália e Holanda, naquela que é a primeira digressão europeia do projecto Nomad de Dave Douglas.

12 de março de 2005

Bird levantou voo há 50 anos

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[Desenho da autoria de Gene Levin]

Completam-se hoje 50 anos sobre a morte de Charlie Parker, o pai do jazz moderno e uma das poucas figuras, juntamente com Louis Armstrong e Miles Davis, de que se pode dizer que mudou a face do jazz de forma permanente.

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[Notícia do New York Times, de 15/3/1995]

Sobre Parker e a sua importância no jazz já muito se escreveu ao longo dos anos, mas no site oficial do saxofonista encontra-se sintetizada a sua importância para o jazz:

Parker redefined the world of jazz; his complex rhythms and
improvisational style influenced musicians and changed the landscape of music forever.


Parker não só foi inovador tecnicamente no saxofone alto, como ritmicamente e harmonicamente, sendo, com Dizzy Gillespie e Bud Powell, um dos pais do bebop.

Nascido em Kansas City em 29 de Agosto de 1920, Parker aprendeu com mestres como Lester Young, Bster Smith e Art Tatum (em 1939 Parker arranjou emprego num restaurante de NYC, onde lavava pratos para poder ouvir, noite após noite, este genial pianista, que ali costumava tocar), tendo composto temas emblemáticos como «Now's The Time», «Anthropology», «Confirmation», «Ornithology», «Scrapple From the Apple», «Ko-Ko ou «Parker's Mood». Muitos destes temas mais não eram do que melodias colocadas sobre a estrutura harmónica de velhos standards, posteriormente modificada por Parker, tornando-se bem mais complexa. «Scrapple from the Apple», por exemplo, resultou da combinação harmónica de dois temas: «Honeysuckle Rose» (de Fats Waller) e «I Got Rhythm».

A vida de Parker, musicalmente e pessoalmente não foi fácil e noi início incluiu várias humilhações em jam-sessions protagonizadas por músicos mais velhos. Uma das cenas mais marcantes sucedeu quando o saxofonista, com apenas 16 anos, entrou numa jam-session em Kansas City. O baterista Jo Jones conduzia a sessão e descontente com a prestação musical de Parker atirou de encontro aos seus pés um dos pratos da sua bateria... (esta cena abre o filme de Clint Eastwood sobre Charlie Parker, do qual falamos adiante).

O uso e abuso de drogas e alcoól fez com que Parker morresse prematuramente, com apenas 34 anos de idade, em casa da baronessa Panonica de Koenigswater.

Velado em Harlem, os restos mortais de Bird foram posteriormente transferidos para o Lincoln Cemetery, em Kansas City, a sua terra natal.

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Entretanto a lápide original que a foto de 1958 documenta foi roubada e a campa do músico esteve por identificar desde Outubro de 1992 até que uma nova e mais digna lápide ali foi colocada.

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Miles Davis contesta na sua autobiografia( Miles, The Autobiography, pág, 179-180) os actos que envolveram o velório e o enterro de Bird em Kansas City:

"Bird was supposed to have a little funeral and a quite burial, at least that's what Chan [a mulher de Bird] planned, but I wasn't going to any kind of funeral. I don't like going to funerals; I like to remember a person when they were alive. But I heard that Doris - "Olive Oyl" - arrived and fucked things up, turned everything into a circus and canceled Chan right out of the picture. Mas, that was some ridiculous and sad shit, because Bird hadn't even seen Olie Oyl for years. So here she comes , claiming the body and shit and having a real big funeral at Abyssinian Baptist Church up in Harlem. That was all right, because that was Adam Clayton Powell's church. But then Doris didn't want nobody to play jazz or blues (just like at Louis Armstrong's funeral later; nobody could play that). Besides all that stupid music that Diz told me they played over Bird's body, he was laying there in a pinstriped suit and a cravat that Doris had bought him. Man, they turned Bird's funeral into some bullshit. Maybe that's why when they were taking the casket out, the pallbearers almost dropped the body after somebody slipped. Man, that was Bird protesting some silly bullshit. The they shipped his body to be buried in Kansas City, a place Bird hated. He had made Chan promise him she wouldn't ever bury him there. They said Bird's burial was a motherfucker, that they buried him in a bronze coffin and that his body was under a piece of glass that somebody told me was giving off light. One guy told me that it seemed "like a halo was surrounding Bird's head". Man, that was shit fucked up a lot of guys who swore Bird was a god; that shit was just the icing on the cake that he was".

O que Bird disse...

"Don't play the saxophone. Let it play you".

"Music is your own experience, your own thoughts, your wisdom. If you don't live it, it won't come out your horn. They teach you there's a boundary line to music. But, man, there's no boundary line to art".

"I kept thinking there's bound to be something else?. I could hear it
sometimes, but I couldn't play it".

O que disseram de Bird...

"Bird's mind and fingers work with incredible speed. He can imply four chord changes in a melodic pattern where another musician would have trouble inserting two".
Leonard Feather

"Louis Armstrong, Charlie Parker".
Miles Davis summarizing the history of jazz

"The first time I heard Bird play, it hit me right between the eyes".
John Coltrane

"He had just what we needed. He had the line and he had the rhythm. The way he got from one note to the other and the way he played the rhythm fit what we were trying to do perfectly. We heard him and knew the music had to go his way?. He was the other half of my heartbeat".
Dizzy Gillespie

"Charlie Parker showed Dizzy a way of playing that almost eliminated that swing feel that Dizzy had in the early '40s, but that also incorporated those harmonic ideas that they both created. So I think the way of getting from one note to the next was very much Charlie Parker's influence on Dizzy. But if Charlie Parker was the stylist, Dizzy was sort of the architect that taught the musicians how to build the music ? Dizzy said that Charlie Parker used to come over to his house, and Dizzy's wife Lorraine wouldn't let him in, so Charlie Parker would be in the hallway playing and Dizzy would write
it down, and then show it to the other musicians. So Dizzy took the things that Charlie Parker got off the top of his head - Dizzy said he never saw him sit at the piano - and he would show other musicians".
Jon Faddis

Numa homenagem a Charlie Parker, aqui deixamos algumas das fotos que melhor o documentam, retiradas do site oficial:

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E como é óbvio, Charlie Parker é música e portanto impõe-se deixar aqui uma discografia essencial:

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[1945]

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[1949]

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[1953]

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E, finalmente, a quem quiser conhecer melhor a vida de Parker aconselha-se vivamente o visionamento do filme realizado por Clint Eastwood:

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Se por acaso passar por Nova Iorque não deixe de visitar a casa em que Charlie Parker viveu entre 1950 e 1954, na Avenida 151 B.

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Já agora, e a título de curiosidade, é de referir que o saxofone de Charlie Parker foi recentemente vendido num leilão pela "módica" quantia de 261 750 USD! Quando Parker morreu a sua mulher, Chan, guardou o seu saxofone de baixo da cama e ali o manteve até à data da sua própria morte, em 1999, vindo o mesmo a ser leiloado agora em 2005.

Este é o mesmo saxofone que Parker repetidamente empenhou para arranjar dinheiro e foi feito expressamente para o músico pela empresa King instrument, em 1947: um saxofone alto modelo Super 20.

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Embora tenha vindo à Europa em 1949-50, infelizmente Parker nunca tocou em Portugal, para tristeza dos vários fans que já por cá tinha nessa época, e que se saiba nenhum dos conhecidos melómanos portugueses do jazz o viu alguma vez tocar ao vivo.

«Bird Lives»!


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