18 de Maio de 2013

90 anos do livro de jazz em Portugal: 35 ex-libris em exposição na Almedina

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Está patente na Livraria Almedina uma exposição de João Moreira dos Santos sobre o 90º aniversário do livro de Jazz em Portugal no âmbito da qual se exibem 35 ex-libris do Jazz nas letras publicados entre 1923 e 2013.

Conta-se entre estes o primeiro livro que abordou em Portugal a temática do jazz: “A Idade do Jazz-Band” (António Ferro, 1923). Esta mostra circulará posteriormente, em itinerância, pelas lojas Almedina em Braga, Coimbra e Porto.

22 de Março de 2013

O Jazz tem (muita) audiência

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Ao contrário do que sponsors (e não só) ainda afirmam, o Jazz tem audiência em Portugal.

É disso exemplo o facto do programa radiofónico "Jazz a Dois", de que sou autor, estar actualmente na liderança das audiências da Antena 2.

Isso mesmo, leu muito bem: o programa mais ouvido da Antena 2 é um programa dedicado ao jazz.

E, mais do que isso, este programa está no top 20 dos programas da RDP (Antena 1, Antena 2, Antena 3, RDP África, RDP Internacional) com mais audiência.

Todas as emissões do "Jazz a Dois" podem ser ouvidas em podcast no site do programa.

30 de Janeiro de 2013


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30 de Dezembro de 2012

Irmãos Mayer recordados no «Expresso» e «Sábado»

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Os irmãos Augusto e Ivo Mayer, recentemente falecidos, foram esta semana homenageados no suplemento «Actual» do jornal «Expresso» (foto acima) e na revista «Sábado» (foto abaixo).

Tendo tido a iniciativa de divulgar a triste ocorrência aos media - homenageando assim Augusto Mayer, que no passado fizera o mesmo pelas figuras do jazz nacional que iam partindo - providenciei as biografias dos irmãos Mayer, as quais tinha oportunamente redigido e visto corrigidas pelos próprios, e também fotografias captadas alguns anos antes por Rosa Reis, que dispensa apresentações como fotógrafa bastante dedicada ao jazz.

Foi assim possível termos nos media uma informação factualmente correcta e abrangente, o que nem sempre sucede, e boas imagens destas importantes e notáveis personas do jazz em Portugal.


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22 de Dezembro de 2012

Augusto e Ivo Mayer, dois amigos e dois ícones do Jazz que deixam saudade

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Conheci-os há cerca 8 anos e sempre que passava pelo Chiado e podia visitava-os na sua loja situada próximo do Largo Camões, onde sempre os encontrava disponíveis, afáveis e generosos para uma conversa em torno do jazz ou das últimas tropelias do governo (este e os anteriores).

Firmou-se ao longo dos anos uma amizade e uma confiança que muito me honrou, o que me permitiu também poder utilizar nos meus livros as fotografias com que Augusto Mayer retratou o jazz em Portugal entre os anos 40 e 80, actividade em que foi único. Tive, aliás, oportunidade de o homenagear publicamente no CCB em Outubro de 2008.

Augusto Mayer (1926-2012) e Ivo Mayer (1928-2012), irmãos, companheiros das tertúlias jazzísticas e não só, faleceram, respectivamente, hoje e ontem, como que unidos também neste momento fatídico. O jazz e a cultura em Portugal ficaram mais pobres e mais órfãos de memória.

O livro que estava a preparar com o espólio fotográfico de Augusto Mayer, em articulação com o próprio, faz agora ainda mais sentido, mas o mais importante foi a ligação de amizade que me foi possível estabelecer com ambos e o que com eles aprendi sobre tudo: o jazz, o que jaz e o que subjaz na Vida.

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Hoje é, portanto, um dia muito triste para mim não só pelo fim do ciclo para Augusto e Ivo, mas pela falta que me vão fazer as conversas, o prazer de passar pela loja para dizer "olá, como estão?" e mergulhar na memória do jazz e do país com quem a viveu intimamente.

Escrevi um dia que "quando morre alguém é parte de nós que morre também pois esse quem leva consigo parte de nós que só com ele partilhámos".

Porém, a vida continua e sinto-me feliz por ter tomado a iniciativa que sempre foi a de Augusto Mayer: honrar os que partem na comunidade do jazz, prestando-lhes uma última homenagem nos media nacionais.

R.I.P..


19 de Setembro de 2012

JNPDI: The End.


Chega hoje ao fim o blogue Jazz no País do Improviso.

Quando fundei este espaço, a 11 de Setembro de 2003, Portugal estava já mergulhado numa crise política, económica e, sobretudo, moral. Era o tempo do célebre “discurso da tanga” de Durão Barroso, então primeiro-ministro, que sucedera ao “pântano” de António Guterres.

Foi precisamente por causa deste cenário político que idealizei o título do blogue: num país em que a política é um eterno e mau exercício de improviso, nada melhor do que Jazz no País do Improviso...

Ironicamente, essa foi também a década (2000-2009) do maior boom jazzístico registado até à data entre nós, com a multiplicação de festivais, concertos, escolas, músicos, media, licenciaturas em jazz, etc.

Foi, pois, neste contexto que surgiu JNPDI, o primeiro grande blogue de jazz em Portugal.

Porém, há 9 anos atrás não podia imaginar que este blogue viria a ter a projecção que hoje se lhe reconhece, com cerca de 465 000 visitas acumuladas, e, muito menos, que viesse a consumir-me tantas e tantas horas, contabilizadas em mais de 3100 posts! Para quem gosta de médias, são cerca de 28 posts por mês…

JNPDI foi de facto uma tribuna importante para a divulgação do jazz, objectivo que sempre o norteou, e chegou a todo o mundo, sendo considerado em Espanha como o blogue de jazz de referência também nesse país.

Em jeito de puro serendipitismo, em que julgo saber ler os propósitos, JNPDI extingue-se no momento em que Portugal está de novo confrontado com uma crise, desta feita a maior crise do pós 25 de Abril, um tempo que Medina Carreira classificou recentemente de austeridade máxima e moralidade mínima.

O jazz, esse, está de boa saúde, ainda que pairem no horizonte nuvens carregadas de tensão e ameaças, nomeadamente com a diminuição dos meios de divulgação. De facto, nos últimos anos, desapareceram a única rádio dedicada ao jazz (Europa Lisboa) e a única revista de jazz (Jazz.pt). Também alguns festivais encerraram definitivamente ou emagreceram ao ponto de uma quase total descaracterização. Por outro lado, a porventura excessiva oferta de formação académica vai ter consequências inevitáveis num mercado que está já fragilizado a vários níveis.

Mas sejamos optimistas e acreditemos que é possível manter acesa a chama do jazz porque tal corresponde a perpetuar o importante farol de fraternidade, liberdade e diálogo que este representa desde a sua origem na Luisiana dos séculos XIX e XX.

Para tal é, porém, necessária cada vez mais uma mudança de mentalidades, que é transversal ao país. O futuro, creio-o bem, exige a aposta na união, a valorização do mérito e o foco nos destinatários finais das instituições, programas e projectos, sejam eles alunos ou ouvintes. Exige também visão, uma ideia federadora capaz de mobilizar todos os actores e agentes do mundo do jazz em Portugal. E exige, ainda, uma enorme generosidade por parte de todos os que fazem o jazz acontecer, partilhando com os seus concidadãos os seus conhecimentos, experiências e saberes.

Penso ter contribuído para tal ao longo destes 9 anos de JNPDI, mas também dos 7 livros que publiquei sobre a história do jazz em Portugal, da centena de artigos que desde 1995 venho publicando na imprensa generalista e especializada, do programa radiofónico “O Espírito do Jazz” (Antena2, 2011 – 2012), das exposições e roteiros do jazz, das inúmeras palestras e dos festivais e concertos que tenho organizado e dos dois discos produzidos.

Por diversas razões, pessoais e profissionais – a que não é alheia a forma como o jazz em Portugal se encontra institucionalizado, muito à semelhança de um poder político/partidário cristalizado e tribal – o tempo é agora de mudança de ciclo, com uma maior aposta em projectos profissionais cada vez mais incompatíveis com a manutenção deste fórum num patamar de qualidade aceitável.

Por todos estes motivos, este é o último post que publico em JNPDI. O blogue ficará todavia disponível para que os seus conteúdos possam continuar, como até aqui, a ser consultados em Portugal e no estrangeiro. Continuarei também disponível, tal como até aqui, para esclarecer quaisquer dúvidas e para apoiar trabalhos académicos na área do jazz, o que poderá ser feito através do e-mail joaomoreirasantos@gmail.com

As últimas palavras em Jazz no País do Improviso vão para os muitos que ajudaram a fazer este blogue ao longo dos anos e, sobretudo, para os milhares de leitores em todo o mundo.

A todos, o meu muito obrigado! Foi uma honra poder fazer convosco esta viagem de 9 anos.

João Moreira dos Santos

A Great Jazz Day in Lisbon

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Cerca de 100 músicos, produtores, professores, divulgadores, historiadores e críticos de jazz reuniram-se ontem no anfiteatro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para recriar a célebre fotografia "A Great Day in Harlem", que em 1958 reuniu em Nova Iorque alguns dos mais conceituados músicos de jazz norte-americanos.

Depois de em Março passado JNPDI ter idealizado este mesmo evento para celebrar assim o 1º Dia Internacional do Jazz, a iniciativa coube agora a três músicos (Filipe Melo, António Quintino e Daniel Bernardes) e ao fotógrafo Joaquim Mendes.

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Filipe Melo e Maria Anadon (a ausente mais presente...)

Pela Gulbenkian passaram muitos, mas não todos, dos membros da "nação" do jazz em Portugal, incluindo praticamente todas as famílias profissionais daqueles que contribuem para manter bem acesa a chama desta forma de arte.

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Justiniano Canelhas e Mário Laginha

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Bernardo Moreira (Binau) e Barros Veloso

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Zé Eduardo e Rui Neves

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António Pinho Vargas e Sérgio Pelágio

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André Carvalho e Carlos Bica

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Carlos Barretto

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Carlos Martins e Maria Anadon

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Justiniano Canelhas e Maria Viana

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João Moreira, Lena d'Água e Edgar Caramelo

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Tomás Pimentel e José Duarte

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Gualdino Barros e Júlio Resende

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?? e Rui Caetano

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Diogo Duque e Ricardo Toscano

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Pedro Nobre e Paulo Bandeira

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Desidério Lázaro, Mário Delgado, Carlos Bica e Carlos Barretto

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Pedro Segundo, José Salgueiro e Alexandre Alves

Entre os ausentes, destacam-se (só para efeitos de memória futura) figuras importantes como Augusto e Ivo Mayer, Rão Kyao, André Sarbib, Jacinta, Maria João, Pedro Madaleno, Hugo Alves, Carlos Azevedo, PEdro Guedes, Mário e Pedro Barreiros, Sofia Ribeiro, Luís Hilário (de férias), Duarte Mendonça, Ribeiro Pinto, António Rubio, Raúl Vaz Bernardo e António Curvelo. A grande "ausência" foi, porém, a de Bernardo Sassetti.

18 de Setembro de 2012

Jandira Silva: Festa de um sonho bom!

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Conheci Jandira Silva, melhor dizendo, a voz de Jandira Silva, há cerca de 10 para 11 anos.

Foi no Casino Estoril, em muitas noites ali passadas a ouvir as canções que cantava. Jandira não era a única a actuar no Du Arte Garden, mas algo nela sobressaía, algo que me fez logo ali sentir por ela uma grande admiração. Era não só a sua voz, mas também o cuidado que colocava nas interpretações para que todos tivessem acesso ao seu melhor. Fazia-o sempre, noite após noite.

Jandira era nova, e ainda é, e mais nova ainda o era neste país, vinda do Brasil tropical, carioca do Rio de Janeiro, acompanhada pela contagiante e alegre música de Vera Cruz. Já não trabalhava nas limpezas de um hotel nacional, mas lavava-nos a Alma no Casino... e também no SIC 10 horas.


Os anos passaram e enquanto Portugal se adiava ao andar para trás, Jandira cresceu e seguiu em frente com o seu sonho musical e artístico. Mudou-se para Londres em 2006 e por lá tem vivido uma “Festa de sonho bom”, nomeadamente no londrino 606 Club. Sempre o seis?

Uma das partes essenciais do seu sonho era gravar um primeiro disco a solo, quimera tantas vezes adiada e até julgada, por vezes, impossível. São as dificuldades, lá como cá.

Este ano, finalmente, tudo se tornou realidade.

“Festa de um sonho bom” é o resultado das canções que Jandira foi escrevendo para este CD, para o que contou com o apoio e colaboração de músicos como o brasileiro portuense Cláudio César Ribeiro, tornado também produtor deste trabalho discográfico, e o português portuense André Sarbib.

Recebi-o na volta do correio há escassos meses e desde então tem tocado regularmente e sistematicamente, forma única de lhe sentir a Alma profunda e a sua identidade.

Entre “Idas e Idas” e “Use Me”, são, no total, 11 temas (o sexto é “Razão de ser”; sempre o seis…), quatro deles da autoria e co-autoria da própria Jandira e um da lavra do grande Tom Jobim.


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