11 de julho de 2007

Kurt Elling no Estoril Jazz


Kurt Elling e Al Jarreau cantam "Take 5", de Paul Desmond

Considerado o mais completo e talentoso cantor de jazz da actualidade – pese embora a sua ainda breve carreira de uma década apenas – Kurt Elling estreia-se em Portugal através do Estoril Jazz, onde actua já no próximo dia 14 de Julho.

Na sua bagagem musical traz seis CD gravados para a Blue Note, todos eles nomeados para os GRAMMY, e a liderança desde o ano 2000 das tabelas de preferências dos críticos da revista Downbeat e dos leitores da JazzTimes, assim como vários prémios atribuídos pela Jazz Journalists’ Association, que acaba de o distinguir pela quarta vez como melhor vocalista masculino.

Natural de Chicago, onde nasceu em 1967, Elling planeava inicialmente uma pacata carreira académica, mas o encontro com o jazz e particularmente com a voz e obra de Mark Murphy alterou-lhe os planos e catapultou-o para os palcos dos pequenos clubes da Wind City, os quais partilhou com músicos de referência como Von Freeman e Ed Peterson.

Como qualquer debutante no mundo do espectáculo, seguiu-se a tradicional demo, registo enviado para a editora Blue Note, na qual editaria em 1995, aos 27 anos, o seu primeiro registo discográfico: Close Your Eyes. Incluído no catálogo de uma editora de referência, Elling chamou a atenção da imprensa tanto pelo seu talento como pelos sidemen que o acompanhavam em discos: Laurence Hobgood e Paul Wertico. Em 1997 saía um novo registo, Messenger, logo seguido um ano depois por This Time It’s Love, cujo sucesso e críticas favoráveis levaram à gravação de um registo ao vivo: Live in Chicago. 2001 seria marcado pelo projecto mais ambicioso do cantor, Flirting With Twilight, onde surgia a cantar um solo de Charlie Haden. Os seus mais recentes trabalhos são Man in the Air (2003) e Nightmoves (2007).

Entre os seus dons contam-se o domínio técnico de uma voz de barítono com um alcance de quatro oitavas, a profundidade das suas interpretações, o forte sentido rítmico e o vasto fraseado e dinâmicas produzidas, o que faz com que seja muitas vezes visto como um verdadeiro instrumentista. No seu repertório contam-se temas da sua lavra e bem assim uma leitura moderna dos velhos standards, ambos propícios ao seu scat singing, assim como ao vocalese, com letras por si escritas para solos emblemáticos dos grandes nomes do jazz (Wayne Shorter, Keith Jarrett, Dexter Gordon, Pat Metheny), revisitando a tradição de nomes como Eddie Jefferson e Jon Hendricks, dos quais se assume aliás como natural herdeiro.

O Estoril Jazz prossegue assim a sua orientação de revelar em primeira mão ao público nacional as grandes vozes contemporâneas do Jazz, depois de ter apresentado no passado artistas como Diana Krall, Dianne Reeves ou Dena DeRose.

5 Comments:

At quinta jul 12, 06:43:00 da tarde 2007, Anonymous Anónimo said...

O take 5 foi composto pelo Paul Desmond.Veja lá se tem mais atenção...o Dave Brubeck é que popularizou o tema...nada mais.

 
At quinta jul 12, 09:20:00 da tarde 2007, Anonymous Anónimo said...

corroboro


roger



: )

 
At sexta jul 13, 12:00:00 da manhã 2007, Blogger Joao Moreira dos Santos said...

Obrigado pela correcção do lapso.

 
At domingo jul 15, 10:28:00 da tarde 2007, Anonymous Luís Pereira said...

Fui ver o Kurt Elling ontem e a tarde/noite foi muito melhor do que o muito bom que eu já esperava. Arrepiei-me várias vezes durante o melhor concerto a que já assisti. Sinto-me felizardo de ter ouvido o Kurt a cantar ao vivo. O Laurence Hobgood ao piano foi igualmente arrepiante.

 
At domingo jul 15, 11:18:00 da tarde 2007, Blogger Joao Moreira dos Santos said...

Caro Luís Pereira,

Fico muito satisfeito que tenha apreciado o Kurt Elling, o que também sucedeu comigo. Ele é de facto execpcional e creio que ainda tem muito para melhorar com a idade.

É como ouvir a Ella Fitzgerald dos anos 40 e depois dos 50 e 60.

 

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