24 de abril de 2005

Jamie "Hobbit" Cullum no Freeport

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[Foto: João Moreira dos Santos]

A grande voz do jovem e pequeno Jamie Cullum levou ontem os seus fans ao rubro, num grande concerto realizado pelo Freeport de Alcochete.

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[Foto: João Moreira dos Santos]

E deste concerto podem tirar-se desde já algumas conclusões. Primeira, o auditório de Cullum é maioritariamente muito jovem, essencialmente feminino, conhece as suas músicas de cor e é movido em grande parte pelo seu aspecto físico, o que levou algumas jovens que se encontravam à beira do palco a gritar piropos como "És mesmo bom!", algo impensável no actual panorama do jazz (embora não no passado). Segunda, Cullum tende cada vez mais para o pop/rock com um fundo jazzy, interessando-se pela composição e por uma batida mais forte. É exemplo disto a interpretação de "Light My Fire", dos The Doors. Terceira, Cullum tem tudo para se tornar rapidamente numa referência da música britânica e para conquistar adeptos um pouco por todo o mundo. Quarta, o Freeport aposta realmente na música, o que é visível não só pelos artistas de nome que contrata, mas também por todas as infraestruturas que montou, desde os bastidores ao palco em si, o que é um óptimo sinal para a animação cultura do Concelho em que se insere e um bom exemplo de um casamento feliz entre o comércio das grandes superfícies e a cultura.

A prova de ser esta uma aposta bem sucedida foi a casa cheia que recebeu Cullum.

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[Foto: João Moreira dos Santos]

Quanto ao concerto em si percorreu praticamente todo o album Twenty Something (que já vendeu mais de dois milhões de cópias!), com êxitos como "What a difference a day made", "These are the days", "Singin' in the rain", "I Could have danced all night" ou a bela balada "Blame it on my youth". So faltou mesmo outra balada essencial, a emotiva "But for now". Em compensação foi possível ouvir "21st Century Kid", um interessante tema que integra o próximo CD do cantor (cuja gravação teve início no passado 18 de Abril) e que aborda a relação dos eleitores com a política e a necessidade da sua participação cívica e responsabilização.

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[Foto: João Moreira dos Santos]

Acompanhado pelos seus músicos habituais, Geoff Gascoyne (no contrabaixo) e Sebastian de Krom, na bateria, Cullum voltou a mostrar-se irreverente em palco, o que é já uma assinatura do seu estilo, percutindo o piano com as mãos e mesmo com o banco do piano, fazendo piruetas e terminando invariavelmente de pé em cima do piano. Foi aí, de pé, que se notou a sua estatura de quase Hobitt, mas um Hobitt muito simpático e divertido.

O final do espectáculo confirmaria a necessidade que Cullum tem de surpreender e de se tornar próximo da audiência, com o cantor a descer do palco para o meio do público, a qual percorreu a cantar, passando pelas várias filas que os presentes formavam. Sem que tal seja propriamente inovador, já que outros músicos que por cá actuaram o fizeram anteriormente (como, por exemplo, Paul Gonsalves ou o bluesman Lucky Peterson), a verdade é que não é propriamente habitual esta convivência tão próxima entre artistas e público, pelo que acaba sempre por resultar em cheio.

Uma palavra final para testemunhar as excelentes codições do palco fixo criado pelo Freeport e o cuidado que este espaço comercial colocou na decoração do backstage, onde não falta sequer uma alusão ao jazz.

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[Foto: João Moreira dos Santos]

Segue-se George Benson, a 28 de Julho.

JNPDI! faz votos de que o Freeport continue a contemplar o jazz ou o smoothjazz na sua programação.

2 Comments:

At domingo mai 01, 02:45:00 da tarde 2005, Anonymous Anónimo said...

Concordo com todos os seus comentários acerca do concerto e o espaço, João. Eu também fiquei bastante surpreendido a ouvir raparigas, teenagers, ao meu lado a cantar todas as letras de "Old Devil Moon". Who would have thought it?
Bill Williams

 
At terça mai 17, 07:19:00 da tarde 2005, Anonymous Anónimo said...

Eu fui! ^^
Quando cheguei ao concerto, pensei que a maior parte das pessoas lá estivesse apenas por ter arranjado um bilhete, mas o coro que se fazia sentir em grande parte das músicas contradizia-o.
Entrei sem conhecere saí de lá completamente fã, é uma pessoa que consegue cativar o público... Kd sair o novo cd, vou la estar pa komprar e tenho prokurado pelo Twenty Something mas ainda não o encontrei À venda.
Dia 28 la estarei d novo, a ver George Benson ^^

 

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