20 de julho de 2009

Jazz na Alemanha Nazi: "Música degenerada" e instrumentalizada

Entartete_musik_poster.jpg

No ano em que se assinalam 70 anos sobre o início da II Guerra Mundial, JNPDI recorre a alguns vídeos que ilustram como os Nazis olharam para o jazz, esse género musical que o regime de Hitler considerava uma Entartete Musik (música degenerada) e que em 1935 baniu da rádio alemã.

O seguinte vídeo foi realizado pela propaganda Nazi com o objectivo de convencer a Holanda subjugada a aderir à ideologia alemã e a abandonar velhos vícios, nomeadamente o jazz...



Na Alemanha propriamente dita tinham surgido logo nos anos 30 vários avisos de que o regime não tolerava o jazz e o swing. Foi neste âmbito que à entrada dos clubes e locais de dança surgiram placas com a inscrição "Swing tanzen verboten!" (proibido dançar o swing)"

Tal não impediu o movimento que ficou conhecido por "Swing Kids"(Swingjugend), composto por um grupo de amantes do swing e do jazz que desafiavam a proibição deste género musical, não só por ouvirem a "indesejável música norte-americana", mas também por nos seus encontros parodiarem o regime de Hitler com ditos como "Swing Heil" (em vez do oficial "Sieg Heil").

O referido movimento era formado por miúdos alemães entre os 14 e os 18 anos e abrangeu sobretudo Berlim e Hamburgo. Muitos destes jovens do swing foram presos e enviados para campos de concentração, onde vieram a morrer, mas a sua memória foi perpetuada num filme realizado em 1993 por Thomas Carter.



Perante este cenário e a deportação e morte de vários músicos, alguns líderes de orquestras de jazz só puderam manter a sua actividade na Alemanha travestindo as canções. Foi assim que a orquestra de Hans Rehmstedt substituiu o clássico "The Lambeth Walk" por "In Lambert's Nachtlokal". É que em 1939 o partido Nazi tinha declarado esta música como sendo "Corrupção judaica e animalesca".



A propósito desta canção, em 1942 Charles A. Ridley (do Ministério Britânico da Informação) pegou em algumas imagens do filme Triunfo da Vontade (de Leni Riefenstahl) e fez uma montagem em que Hitler e alguns soldados pareciam dançar ao som de "Lambeth Walk". Consta que quando Josef Goebbels (o ministro da propaganda Nazi) viu o resultado final saiu da sala de projecção soltando impropérios...



Goebbels não ficava porém atrás em matéria de propaganda, ele que estava bem ciente do poder popular da música e, especificamente, do swing. Foi nesse sentido que contratou uma orquestra para subverter as canções mais famosas dos norte-americanos e do swing, alterando as suas letras de forma a parodiar os aliados e os judeus. Ficaram célebres as gravações de Charlie and His Orchestra, agrupamento liderado por Karl Schwendler. Ouçamos, por exemplo, como ficou o clássico "Makin' Whoopee" na sua versão Nazi difundida para todo o mundo pelas rádios alemãs.



Finalmente, eis um vídeo que documenta um pouco a polémica em torno do jazz na II Guerra Mundial.



1 Comments:

At segunda jul 20, 03:38:00 da tarde 2009, Blogger odete pinto said...

Esta divulgação de factos históricos é também serviço público e muito bom.
Para que conste.

 

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